Fumaça de incêndios torna ar de Toronto um dos piores do mundo
País soma 1,9 milhão de hectares queimados na temporada, e fumaça já atinge também o nordeste dos EUA.

Incêndios florestais no Canadá lançaram uma nuvem espessa de fumaça sobre Toronto, que chegou a ocupar o segundo lugar entre as cidades com pior qualidade do ar do mundo, atrás apenas de Kinshasa, na República Democrática do Congo. As autoridades locais recomendaram à população permanecer em ambientes fechados e emitiram alerta de qualidade do ar válido até pelo menos a manhã desta sexta-feira, enquanto ventos seguem trazendo partículas de incêndios que queimam a centenas de quilômetros da metrópole, no noroeste da província de Ontário.
Fumaça reduz visibilidade e eleva risco à saúde
A cidade amanheceu sob céu acinzentado, com forte odor de fumaça e visibilidade reduzida nos primeiros dias da semana. De acordo com a empresa de monitoramento atmosférico IQAir, Toronto chegou a liderar por boa parte do dia o ranking das cidades mais poluídas do planeta, cedendo a primeira posição apenas no fim da tarde. Segundo Armen Araradian, representante da IQAir, os incêndios florestais são o principal fator da deterioração do ar, enquanto o calor acima da média favorece o acúmulo de poluentes na atmosfera.
As partículas transportadas pela fumaça são finas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões, o que eleva o risco de problemas respiratórios mesmo em pessoas saudáveis. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares formam o grupo mais vulnerável aos efeitos da exposição prolongada, segundo o alerta emitido pelo serviço meteorológico canadense.
Restrições afetam rotina e eventos ao ar livre
O serviço meteorológico canadense recomendou que os moradores evitassem atividades ao ar livre, sobretudo exercícios físicos, e mantivessem portas e janelas fechadas sempre que possível. O órgão informou que as condições devem permanecer perigosas até pelo menos a manhã desta sexta-feira, com possibilidade de o alerta ser prorrogado conforme a evolução dos ventos.
Como medida preventiva, piscinas públicas foram fechadas e uma área destinada à transmissão pública da semifinal da Copa do Mundo entre Inglaterra e Argentina teve as atividades suspensas. Diversos eventos ao ar livre foram cancelados ou remarcados. Um morador da cidade, Paul Onwubuke, relatou que precisou adaptar a rotina diária diante da fumaça, presente em praticamente toda a cidade: 'Estou usando máscara por onde vou, levo água comigo e também uso óculos para tentar reduzir os efeitos da fumaça'.
Temporada de incêndios já soma quase 2 milhões de hectares
A atual temporada de incêndios no Canadá já queimou cerca de 1,9 milhão de hectares, área equivalente ao território da Eslovênia. O país contabilizava 838 incêndios ativos, dos quais 189 seguiam fora de controle, e comunidades isoladas em Ontário precisaram ser evacuadas diante do avanço das chamas. Apesar do volume, a temporada de 2026 permanece abaixo dos níveis catastróficos registrados em 2023 e 2025.
A fumaça também degradou a qualidade do ar no nordeste dos Estados Unidos, atingindo estados como Pensilvânia, Nova York, Connecticut, Massachusetts, Maine e New Hampshire, onde autoridades locais emitiram alertas semelhantes. O fenômeno ocorre em meio a uma onda de calor extremo que avançou do oeste para o leste dos Estados Unidos e parte do Canadá, colocando mais de 90 milhões de pessoas sob alerta nos Estados Unidos.
As autoridades canadenses seguem monitorando a evolução dos ventos e da fumaça, fator que deve determinar se o alerta de qualidade do ar será mantido além desta sexta-feira. Enquanto os incêndios não forem controlados, a recomendação para moradores de Toronto e das regiões afetadas nos Estados Unidos continua sendo evitar exposição prolongada ao ar livre e buscar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios.
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