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Clima

Estados Unidos têm julho mais quente da história, diz NOAA

Mais de 600 recordes de temperatura foram batidos, e o Lago Mead chegou ao nível mais baixo já registrado no país.

11 de agosto de 2026·Redação SulTV
Pessoa se refresca com água de hidrante durante onda de calor recorde nos Estados Unidos.
Pessoa se refresca com água de hidrante durante onda de calor recorde nos Estados Unidos.

Julho de 2026 foi o mês mais quente já registrado nos Estados Unidos desde o início das medições nacionais, em 1895, segundo boletim divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) na segunda-feira (10). A temperatura média nos 48 estados contíguos do país ficou 1,8°C acima da média histórica do século 20, superando os recordes anteriores, registrados em julho de 1936 e julho de 2012.

Calor atingiu quase todo o território dos EUA

Mais de 600 recordes mensais de temperaturas máximas e mínimas foram estabelecidos ao longo do mês nos Estados Unidos. Nenhum dos 48 estados contíguos apresentou média térmica próxima ou abaixo do normal histórico, e 13 estados registraram um dos cinco julhos mais quentes de suas séries de dados.

O estado de Wyoming teve não apenas o julho mais quente já observado em sua história, mas o mês mais quente de qualquer época do ano desde o início dos registros. Denver e Salt Lake City também bateram seus próprios recordes de julho, enquanto Miami, Los Angeles e Minneapolis figuraram entre os cinco julhos mais quentes já registrados em suas cidades. Uma sucessão de domos de calor, formados pelas ondulações da corrente de jato, manteve o ar quente concentrado perto da superfície em diferentes regiões do país ao longo do mês, da Costa Leste ao Sudoeste.

Seca e incêndios se agravam no Oeste do país

No estado de Washington, um complexo de três incêndios atingiu a região de Spokane, favorecido pela combinação de calor extremo, seca e vento. As chamas danificaram ou destruíram centenas de casas e outras estruturas na área.

A crise hídrica também se intensificou no Oeste do país: o Lago Mead, maior reservatório dos Estados Unidos, atingiu no início de agosto o menor nível já registrado desde que passou a ser monitorado. O reservatório abastece de água aproximadamente 20 milhões de pessoas em diferentes estados do Sudoeste norte-americano, o que amplia a pressão sobre o sistema de abastecimento da região.

Mudança climática e El Niño influenciam o cenário

Segundo a NOAA, o recorde de julho ocorreu em um contexto de mudança climática impulsionada principalmente pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa decorrentes da queima de combustíveis fósseis. O aquecimento global vem tornando as ondas de calor mais intensas, prolongadas e frequentes nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, um fenômeno El Niño em rápida intensificação no Pacífico tropical começa a influenciar as temperaturas globais e pode ter desempenhado um papel secundário no calor observado em julho. Estudos citados pela agência indicam, no entanto, que episódios específicos de calor extremo costumam estar mais relacionados à combinação entre a mudança climática de longo prazo e a variabilidade natural dos padrões atmosféricos.

Novos boletins da NOAA devem indicar se o padrão de calor extremo permanece nos próximos meses, à medida que o El Niño segue em intensificação no Pacífico. O episódio se soma a uma série de recordes de calor registrados neste ano em diferentes partes do mundo, reforçando a discussão global sobre os efeitos das mudanças climáticas.

Tags:clima

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