Ciclone derruba 26 torres de energia no Sul do RS; reparo segue
Duas estruturas ficaram submersas na Lagoa Mirim e mais de 90 profissionais seguem na reconstrução da linha que atende Santa Vitória do Palmar e o Chuí.

Um ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul na quinta-feira (6) derrubou 26 torres do sistema de transmissão de energia no extremo sul do Estado, incluindo duas estruturas que caíram dentro da Lagoa Mirim. As torres atingidas fazem parte da linha que abastece Santa Vitória do Palmar e Chuí, e mais de 90 profissionais da CEEE Equatorial e da Axia Energia seguem mobilizados na reconstrução, que na segunda-feira (10) voltou a ser interrompida pela força do vento.
Torres partidas caíram dentro da Lagoa Mirim
As duas estruturas atingidas se deformaram e se partiram antes de tombar na água, na região da Lagoa Mirim, no extremo sul gaúcho. Elas integravam o trecho da linha responsável por levar energia a Santa Vitória do Palmar e ao Chuí, municípios que ficaram com o fornecimento comprometido após a queda.
Para reduzir os impactos da interrupção, geradores foram disponibilizados em pontos considerados essenciais, indicados pelas prefeituras dos dois municípios. A CEEE Equatorial e a Axia Energia, concessionárias responsáveis pelo sistema, classificaram a extensão dos danos como resultado de uma combinação incomum de fatores, que exigiu uma força-tarefa com diferentes frentes de trabalho simultâneas.
Vento volta a travar o içamento das estruturas
O avanço da reconstrução, que já soma dias de trabalho contínuo, voltou a ser prejudicado pelas rajadas de vento na região. Na segunda-feira (10), a ventania impediu que o helicóptero utilizado no apoio à montagem das torres fizesse o içamento e o encaixe das estruturas em condições seguras.
Segundo as concessionárias, todos os equipamentos e profissionais necessários para o reparo já estão mobilizados na região, prontos para retomar a operação assim que as condições meteorológicas permitirem. A expectativa é concluir o içamento das duas torres que caíram na lagoa e restabelecer integralmente o trecho da linha afetada pelo temporal.
Por que estruturas feitas para resistir a temporais cederam
As torres de transmissão de energia no Brasil seguem normas técnicas como a NBR 5422 e a NBR 6123, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, além de diretrizes internacionais que orientam o dimensionamento das estruturas. De forma geral, essas torres são projetadas para suportar rajadas entre 120 km/h e 150 km/h, dependendo da exposição do terreno e da altura da linha.
Levantamentos sobre a passagem do ciclone apontaram rajadas de até 134 km/h em General Câmara, na Região Carbonífera, e de 132 km/h em Porto Alegre. Na área de cobertura da Costa Doce, São Lourenço do Sul teve rajada de 107 km/h, enquanto Arroio Grande, no extremo sul, registrou 104 km/h — ventos excepcionais que, combinados a fatores como erosão do solo em fundações alagadas, podem levar até estruturas robustas ao colapso.
A reconstrução das torres na Lagoa Mirim segue como prioridade das concessionárias enquanto o Sul do Rio Grande do Sul convive com os efeitos do temporal. A previsão é retomar o içamento das estruturas assim que o vento permitir a operação segura do helicóptero, com a expectativa de normalizar por completo o fornecimento de energia em Santa Vitória do Palmar e no Chuí nos próximos dias.
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