Entregador é indiciado por racismo contra colega em Porto Alegre
Lei prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para o crime, que agora vai ao Ministério Público.

Um entregador de 23 anos foi indiciado pela Polícia Civil por racismo e injúria racial após desenhar o rosto de um colega de trabalho negro, de 20 anos, em uma banana. O indiciamento foi concluído na quinta-feira (29), pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), responsável pela apuração do caso registrado em um ponto de delivery dentro de um shopping de Porto Alegre.
O episódio no ponto de delivery
Conforme a investigação da Polícia Civil, o caso aconteceu em 25 de junho de 2026. Os dois jovens trabalhavam como entregadores no mesmo ponto, dentro do shopping. O investigado pediu que o colega olhasse em sua direção para observar seus traços faciais e, pouco depois, entregou a ele uma banana com um desenho que representava o rosto do trabalhador.
A vítima considerou a atitude racista e humilhante e registrou um boletim de ocorrência pela internet, o que deu início à apuração conduzida pela DPCI. Durante a investigação, a Polícia Civil ouviu testemunhas que confirmaram a versão apresentada pelo entregador agredido.
Versões da investigação e da defesa
O delegado Vinícius Nahan, titular da DPCI, destacou que a associação de pessoas negras a bananas é uma manifestação historicamente conhecida de discriminação racial. Segundo o delegado, as circunstâncias do episódio demonstram que o investigado tinha condições de compreender o significado ofensivo do gesto.
Em depoimento, o jovem negou intenção de praticar racismo e alegou ter feito o desenho de forma impulsiva. Ele relatou que, cerca de 20 minutos após o episódio, recebeu uma advertência da supervisora da empresa e foi informado de sua demissão. A investigação apontou que ele não possui antecedentes criminais. A defesa, representada pela advogada Daniele Cunha Ramos, contesta a acusação e afirma que vai demonstrar a ausência de intenção discriminatória.
Como denunciar casos de racismo
Desde 2023, a Lei nº 14.532 equiparou a injúria racial ao crime de racismo, com pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Crimes de racismo são inafiançáveis e imprescritíveis. O indiciamento concluído em Porto Alegre marca o fim da etapa policial, mas não representa condenação — o caso segue agora para análise do Ministério Público.
Moradores da Costa Doce e do restante do Rio Grande do Sul que sofrerem ou presenciarem situações de discriminação racial podem registrar ocorrência em qualquer delegacia da Polícia Civil. As denúncias também podem ser feitas pela Delegacia Online, em www.delegaciaonline.rs.gov.br, ou pelo WhatsApp da Polícia Civil, no número (51) 98444-0606. A DPCI funciona na Rua 24 de Outubro, nº 844, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
O desfecho do caso depende agora da análise do Ministério Público, que vai decidir se oferece denúncia contra o entregador indiciado. Até lá, a Polícia Civil reforça que episódios de discriminação racial podem ser denunciados a qualquer momento pelos canais oficiais disponíveis em todo o Estado, incluindo os municípios da Costa Doce.
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