El Niño põe chuva recorde em SP e PR, mas poupa o RS
Modelos de longo prazo apontam mais de 500 mm em até 45 dias no Paraná, com reflexos no Centro-Oeste e no Sudeste do país.

O fenômeno climático El Niño está antecipando a estação chuvosa em parte do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil, com volumes de chuva muito acima da média batendo recordes mesmo antes do verão. São Paulo teve o mês de setembro mais chuvoso desde o início das medições regulares, em 1943, e a previsão meteorológica aponta chuva acima da média também para o restante de outubro e para novembro. O padrão deste ano é diferente do observado no El Niño de 2023, quando a chuva extrema de primavera se concentrou no Rio Grande do Sul: agora, o fenômeno tem atuado com mais força mais ao norte, no Paraná, com reflexos diretos em São Paulo, Mato Grosso do Sul e outros estados do Centro-Oeste e do Sudeste.
Por que a chuva chegou mais cedo
Em condições normais, a primavera marca a transição gradual entre a estação seca do inverno e o período chuvoso no Centro-Oeste e em boa parte do Sudeste, entre setembro e novembro. O aumento da umidade atmosférica nesse intervalo favorece a formação de áreas de instabilidade e o surgimento de temporais com raios, rajadas de vento e granizo.
As médias climatológicas mostram o tamanho do salto: em São Paulo, a chuva média passa de cerca de 83 milímetros em setembro para 127 milímetros em outubro e chega a 144 milímetros em novembro. Em Belo Horizonte, o avanço é ainda mais acentuado, saindo de 49 milímetros em setembro para 110 milímetros em outubro e 236 milímetros em novembro. Um dos mecanismos que explica esse salto é o transporte de umidade da Amazônia em direção ao Brasil Central e ao Sudeste, que se combina com o calor para formar as tempestades.
Onde a chuva deve ser mais intensa nas próximas semanas
As projeções de mais longo prazo apontam volumes extraordinariamente altos no Paraná nos próximos 45 dias, podendo superar 500 milímetros em algumas localidades do estado. Esse excesso de chuva deve ter reflexos em áreas vizinhas, com volumes acima a muito acima da média também no Sul do Mato Grosso do Sul e no interior de São Paulo, especialmente nas regiões Sul e Leste paulista.
A previsão meteorológica também indica possibilidade de chuva acima da média em pontos do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e do Centro-Sul de Minas Gerais ainda neste período. Nessa configuração, o epicentro da chuva mais intensa do El Niño fica deslocado para o Norte da Região Sul e para o Centro-Oeste e o Sudeste, e não sobre o Rio Grande do Sul.
A diferença em relação ao El Niño de 2023
A comparação com o El Niño anterior ajuda a entender o contraste: em 2023, a chuva extrema de primavera atingiu com força o Rio Grande do Sul, provocando enchentes em diversas regiões do Estado. Já em 2026, o fenômeno concentra a chuva mais intensa mais ao norte, no Paraná, deixando o Centro-Oeste e o Sudeste na rota dos maiores volumes.
Para quem vive na Costa Doce e no Sul do Rio Grande do Sul, o quadro reforça a importância de acompanhar a evolução das previsões ao longo da primavera, já que os padrões do El Niño podem mudar de uma semana para outra e ainda não há garantia de que o Estado fique totalmente fora da rota de chuvas mais intensas.
A tendência apontada para o restante de outubro e para novembro é de manutenção do volume elevado de chuva fora do Rio Grande do Sul, com Paraná, São Paulo e parte do Centro-Oeste concentrando os maiores excessos. A evolução do El Niño continua sendo monitorada nas próximas semanas, e novas atualizações sobre eventuais reflexos na Região Sul devem surgir ao longo da primavera.
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