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Clima

El Niño pode ser o mais forte em 150 anos e trazer mais chuva ao RS

Projeções apontam anomalia de até 3,6°C no Pacífico, 0,8°C acima do recorde de 2015-2016.

28 de julho de 2026·Redação SulTV
Imagem de satélite mostra o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico associado ao El Niño 2026-2027.
Imagem de satélite mostra o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico associado ao El Niño 2026-2027.

Modelos climáticos internacionais projetam que o El Niño 2026-2027 pode registrar uma anomalia média de 3,6°C na região do Pacífico Equatorial conhecida como Niño 3.4, patamar que tornaria o fenômeno o mais intenso desde o início dos registros sistemáticos, há 150 anos. Caso a previsão se confirme, o novo episódio superaria em cerca de 0,8°C o recorde anterior, do período 2015-2016. O aquecimento das águas do Pacífico já aponta para maior volume de chuva no Rio Grande do Sul e aumento no risco de enchentes nos próximos meses, com efeito direto sobre cidades do Sul do estado, incluindo a região da Costa Doce.

Recorde histórico em xeque

O maior El Niño observado até hoje ocorreu entre 2015 e 2016, quando a anomalia na região Niño 3.4 atingiu 2,75°C pela convenção do Índice Oceânico Niño (ONI). Antes dele, os episódios de 1982-1983 e 1997-1998 eram considerados os mais fortes da era moderna, enquanto o evento de 1877-1878, reconstruído a partir do banco de dados HadISST, aparece como o mais forte do século XIX. As novas projeções colocam o episódio 2026-2027 acima de todos esses marcos.

Um levantamento com 667 simulações climáticas mostra que 80% das projeções centrais permanecem acima dos maiores eventos já registrados. Mesmo o décimo percentil, considerado um cenário mais conservador, praticamente alcança o recorde de 2015-2016. Alguns modelos individuais chegam a projetar anomalias entre 4°C e 5°C, patamar sem precedentes desde o início do monitoramento oceânico.

Aquecimento em ritmo acelerado

O Pacífico Centro-Leste equatorial já registra uma anomalia de +2°C, patamar de Super El Niño atingido meses antes de qualquer outro evento de intensidade muito forte já catalogado. A virada de condições neutras para o aquecimento acentuado ocorreu em poucos meses, impulsionada por sucessivas ondas oceânicas de Kelvin, ventos de oeste persistentes e um grande volume de água quente abaixo da superfície, que segue alimentando o fenômeno.

O que muda para o Sul do Brasil

A expectativa é de chuva muito acima da média nos próximos meses no Rio Grande do Sul, com sucessão de eventos de precipitação extrema, temporais e enchentes, algumas de grande porte. Para as cidades da Costa Doce e do Sul do estado, isso significa atenção redobrada a previsões de chuva forte, já que a intensidade do fenômeno tende a ampliar riscos em vias urbanas, redes de drenagem e áreas historicamente alagadiças.

Apesar da força das projeções, especialistas ressaltam que ainda há incertezas no comportamento da atmosfera nos próximos meses. Oscilações nos ventos tropicais, mudanças na circulação atmosférica e processos internos do oceano podem elevar ou reduzir a intensidade final do fenômeno. Ainda assim, a magnitude das projeções reforça a necessidade de acompanhamento contínuo dos boletins meteorológicos e dos alertas de defesa civil ao longo da primavera e do verão que se aproximam.

Com informações de metsul.com

Tags:clima

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