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Clima

El Niño bate recorde histórico e ainda pode se intensificar

Anomalia chegou a +3,1°C na região Niño 3.4, dois meses antes do pico de 2015, e pode se aproximar de +4°C até dezembro.

30 de setembro de 2026·Redação SulTV
Céu carregado sobre o Sul do RS: El Niño recorde eleva alerta para temporais na primavera
Céu carregado sobre o Sul do RS: El Niño recorde eleva alerta para temporais na primavera

O El Niño que se forma no Oceano Pacífico atingiu uma anomalia de temperatura de +3,1°C na região Niño 3.4, superando o recorde anterior de +3,0°C registrado no Super El Niño de 2015/2016. Dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) mostram que a marca foi batida cerca de dois meses antes do pico observado no episódio anterior, e o fenômeno ainda deve ganhar força até dezembro. Para o Sul do Rio Grande do Sul, incluindo a Costa Doce, o alerta é de maior chance de temporais e chuva volumosa ao longo da primavera.

Ritmo inédito na formação do fenômeno

O avanço do El Niño de 2026 vem sendo descrito como excepcional em termos de velocidade. A região Niño 3.4, indicador de referência para medir a intensidade do fenômeno, alcançou pela primeira vez a marca de +2°C na semana de 8 de julho. Nos grandes episódios anteriores, esse patamar só havia sido atingido em novembro de 1982, setembro de 1997 e setembro de 2015 — ou seja, meses mais tarde do que ocorreu agora.

Em setembro, a NOAA já registrava mais de 90% de probabilidade de o fenômeno se tornar um El Niño muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte, além de 75% de chance de atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro. Projeções climáticas apontam que a anomalia na região Niño 3.4 pode se aproximar de +4°C até o fim do ano, embora esse número ainda seja uma estimativa, e não um valor observado.

O que muda para quem vive no Sul do Brasil

O El Niño altera a circulação da atmosfera e, historicamente, está associado a uma maior frequência de chuvas e de sistemas capazes de provocar temporais no Sul do Brasil. Frentes frias, áreas de baixa pressão e corredores de umidade tendem a encontrar condições mais favoráveis para gerar volumes elevados de precipitação em poucas horas.

A atenção é redobrada no Rio Grande do Sul, que já vem enfrentando uma sequência de episódios de chuva intensa desde o início deste ciclo do fenômeno. A expectativa é de maior frequência de temporais, granizo, vendavais e chuva volumosa ao longo da primavera e dos próximos meses — cenário que reforça a importância de acompanhar os alertas oficiais em cidades da Costa Doce e do restante da região Sul.

Recorde não significa enchente garantida

Apesar da intensidade inédita, um El Niño recorde não equivale automaticamente a uma enchente recorde. A relação entre a força do fenômeno e seus efeitos sobre uma região específica não é linear — outros fatores atmosféricos e oceânicos também interferem na formação e na trajetória dos sistemas de chuva. As grandes enchentes de 1941 e 2024 no Rio Grande do Sul, por exemplo, ocorreram em fases distintas do ciclo do El Niño, e no caso de 2024 uma combinação de diferentes fatores atmosféricos contribuiu para a dimensão da tragédia.

O El Niño de 2026/2027 já entrou para a história antes mesmo de atingir seu provável auge, esperado entre novembro e dezembro. Essa combinação — intensidade excepcional já confirmada e possibilidade de novo fortalecimento nas próximas semanas — mantém o Sul do Rio Grande do Sul em estado de atenção. A recomendação para moradores da Costa Doce e da região é acompanhar os alertas oficiais de órgãos como a Defesa Civil e o INMET diante de qualquer sinal de instabilidade nos próximos meses.

Tags:clima

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