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Clima

El Niño 2026-2027 se aproxima de recorde histórico, diz NOAA

Anomalia no Pacífico chega a +2,6°C, maior patamar desde 2015, e reacende atenção às chuvas na região.

13 de agosto de 2026·Redação SulTV
Rua alagada em cidade da Costa Doce durante chuva forte, cenário associado à enchente de 2024 no RS.
Rua alagada em cidade da Costa Doce durante chuva forte, cenário associado à enchente de 2024 no RS.

O episódio de El Niño que atinge o Oceano Pacífico Equatorial registrou anomalia de temperatura de +2,6°C na região conhecida como Niño 3.4, segundo o mais recente informe semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), órgão do governo dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento climático global. O valor é o maior patamar semanal observado desde o início do fenômeno atual e fica a apenas 0,4°C do recorde histórico da série. Para o Sul do Rio Grande do Sul e a Costa Doce, região que sentiu de perto os efeitos de um El Niño mais fraco durante a enchente histórica de 2024, o novo patamar reforça a atenção para o regime de chuvas dos próximos meses.

Dois índices, mesma tendência de aquecimento

A NOAA acompanha o fenômeno por dois índices diferentes. Pelo índice tradicional, chamado ONI (Oceanic Niño Index), a anomalia na região Niño 3.4 está em +2,6°C, patamar que classifica o episódio como El Niño muito forte, também chamado de Super El Niño. Trata-se do maior valor semanal medido nesta parte do Pacífico desde novembro de 2015, durante o Super El Niño de 2015-2016.

Neste ano, a agência passou a divulgar também o RONI (Relative Oceanic Niño Index), que desconta o aquecimento médio dos trópicos para tornar a comparação entre diferentes décadas mais precisa. Por esse índice, a anomalia atual está em +1,8°C, classificada como El Niño forte e a maior desde fevereiro de 2015. Abaixo da superfície do oceano, a NOAA registrou aquecimento recorde de 10,7°C acima da média, sinal de grande quantidade de energia acumulada no Pacífico tropical.

Precedente de 2024 acende sinal de alerta

O histórico de eventos recentes ajuda a dimensionar a força do fenômeno atual. O maior pico já registrado pela NOAA foi de 3,0°C, na semana de 18 de novembro de 2015. Na sequência aparecem os episódios de 1982-1983, com 2,6°C, e de 1997-1998, com 2,3°C — todos considerados Super El Niño pela série histórica da agência.

Já o El Niño de 2023-2024 teve anomalia máxima de 2,1°C, registrada em novembro de 2023, e esteve entre os fatores climáticos associados à maior enchente da história do Rio Grande do Sul. Como a anomalia atual, de +2,6°C, já supera aquele patamar, cidades da Costa Doce e do Sul do estado tendem a acompanhar de perto os boletins de órgãos públicos de meteorologia e da Defesa Civil nos próximos meses.

As projeções mensais mais recentes, atualizadas no início de agosto, apontam intensificação ainda maior do El Niño rumo ao pico esperado para o fim do ano, com nova atualização dos modelos climáticos prevista para o começo de setembro. A SulTV deve acompanhar os próximos boletins da NOAA e de órgãos públicos brasileiros para manter a região informada sobre o desdobramento do fenômeno.

Tags:clima

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