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Deriva de herbicida já reduziu 40% dos vinhedos no RS

Produtores criaram aliança e levaram o tema à Assembleia Legislativa, enquanto a Emater já capacitou mais de 24 mil agricultores para reduzir o problema.

05 de outubro de 2026·Redação SulTV
Folhas de videira deformadas por deriva de herbicida em vinhedo do interior do RS
Folhas de videira deformadas por deriva de herbicida em vinhedo do interior do RS

Produtores de frutas do Rio Grande do Sul relataram perdas de até 50% na produtividade de vinhedos causadas pela deriva de herbicidas hormonais, fenômeno em que o produto se desloca pelo ar e atinge lavouras distantes do local onde foi aplicado. O problema foi tema de um seminário promovido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na última quinta-feira (1º), reunindo produtores, técnicos e pesquisadores no Colégio Politécnico da instituição. Na região de Jaguari, cerca de 40% da área de vinhedos ligada à Cooperativa Agrária São José, fundada em 1932, já foi erradicada desde que os primeiros sintomas de dano apareceram, em 2011.

Dano identificado há mais de dez anos

Em 2011, o técnico agrícola Alexandre Maia percebeu folhas retorcidas e crescimento anormal nas videiras da cooperativa de Jaguari. O mesmo padrão foi registrado em mais de 50 vinhedos da região, incluindo propriedades sem lavouras de grãos nas proximidades, o que levantou a suspeita de que o herbicida 2,4-D estivesse sendo transportado pelo vento a longas distâncias.

A área de vinhedos vinculada à cooperativa, que chegou a somar mais de 120 hectares, caiu para cerca de 70 hectares, segundo Maia. A queda de 50% na produtividade fez a indústria operar abaixo da capacidade, elevando os custos de produção e pressionando a renda das famílias que dependem da uva na região.

Produtores criam aliança e levam o tema à Assembleia

Na Vinícola Velho Amâncio, em Itaara, os primeiros danos apareceram em 2015 e se agravaram nos últimos anos. "A partir de 2023 e 2024, chegamos a um nível de dano com o qual simplesmente não é mais possível conviver", relatou a engenheira agrônoma Aline Fogaça, uma das palestrantes do seminário. Segundo ela, os herbicidas hormonais afetam o crescimento das plantas e podem causar danos às frutíferas mesmo em pequenas quantidades transportadas pelo ar.

A discussão ganhou força a partir da Subcomissão dos Herbicidas Hormonais, instalada em abril de 2025 na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A partir dela, produtores organizaram a Aliança pela Fruticultura, entidade que busca ampliar o debate e aproximar universidades, órgãos públicos e produtores. Para o professor Gustavo Pinto da Silva, do Colégio Politécnico da UFSM, o tema ainda é pouco discutido: "É difícil pautar essa questão", afirmou durante o evento.

Emater já capacitou mais de 24 mil agricultores

Segundo o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Oliveira, assistente técnico regional da Emater/RS, a expansão das lavouras de grãos no estado ampliou os casos de deriva. Desde 2019, uma instrução normativa estadual exige capacitação para quem compra e aplica herbicidas hormonais — regra que começou valendo para 21 municípios gaúchos, seis deles na região de Santa Maria.

Para atender à exigência, a Emater criou um curso de 16 horas em parceria com a UFSM e outras instituições. Desde então, já foram realizadas 1.031 capacitações, que qualificaram 24.330 pessoas para o uso correto dos produtos, além de ajudar agricultores a cadastrar áreas sensíveis e de inspecionar 3.500 equipamentos de pulverização.

O debate sobre a deriva de herbicidas hormonais deve continuar nos próximos meses, com a Aliança pela Fruticultura pressionando por mais pesquisa e políticas públicas voltadas à convivência entre lavouras de grãos e pomares. Na UERGS e na UFSM, pesquisadores também avaliam alternativas ao uso desses produtos, com o objetivo de reduzir o impacto sobre a fruticultura gaúcha sem prejudicar a produção de grãos do estado.

Com informações de ufsm.br

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