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Cobreiro pode causar cegueira e paralisia facial, alerta farmacêutica de Camaquã

Bruna Santos, da Clínica Imunize, explica reativação do vírus da catapora e defende a vacina como única forma de prevenção

11 de setembro de 2026·Redação SulTV
Reprodução/SulTV
Reprodução/SulTV

O herpes zóster, popularmente conhecido como cobreiro, pode causar complicações graves como cegueira e paralisia facial, alertou a farmacêutica Bruna Santos, da Clínica Imunize de Camaquã, em entrevista ao Redação SulTV.

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Segundo Bruna, o cobreiro não é apenas uma doença de pele, como muita gente imagina pelas bolhas características. "É uma doença que pode causar dor muito intensa e às vezes atrapalhar inclusive a qualidade de vida", afirmou.

O herpes zóster é a reativação do vírus da catapora (varicela) contraída na infância. Depois da infecção inicial, o vírus fica adormecido por décadas no sistema nervoso e pode reativar quando a imunidade cai — o que acontece naturalmente com o envelhecimento, mas também em períodos de estresse. "Depois de anos ou décadas, quando a gente começa a envelhecer e cai a nossa imunidade, o vírus é reativado, só que de uma maneira um pouco mais grave", explicou a farmacêutica.

A reativação provoca dor intensa e inflamação bolhosa geralmente restrita a um lado do corpo. Parte dos pacientes desenvolve a chamada neuralgia pós-herpética, uma dor que pode persistir por meses ou anos mesmo depois de as bolhas cicatrizarem. "A sensação que os pacientes que já tiveram herpes zóster relatam é como se fosse um choque elétrico", descreveu Bruna.

Nos casos mais graves, quando a erupção atinge a região dos olhos ou do rosto, o quadro pode evoluir para cegueira ou paralisia facial. "Já tive paciente com paralisia facial, o que dificulta bastante a qualidade de vida desses pacientes", relatou.

A farmacêutica também desfez um mito comum: o cobreiro não tem relação com infecções sexualmente transmissíveis. "Não é uma doença que, ah, eu vou transmitir — a gente tá aqui conversando e vai pegar através de uma relação sexual. Não, é diferente", esclareceu. A única forma de desenvolver o herpes zóster é ter tido catapora antes.

Vacina com 97% de eficácia

Segundo Bruna, a vacinação é hoje a única forma de prevenção contra o cobreiro. O esquema é simples: uma dose e, 60 dias depois, a segunda — sem necessidade de reforços. "A vacina tem mais de 97% de eficácia. Mas é prático, muito prático", disse.

A vacina é indicada como rotina no calendário do adulto a partir dos 50 anos, mas pacientes com diabetes, doenças cardíacas ou outras condições clínicas associadas podem tomá-la já a partir dos 18 anos, por terem mais risco de desenvolver a doença. Estudos recentes também associaram a vacina a uma redução no risco de demência e a uma proteção cardiovascular adicional, segundo a farmacêutica.

Entre as contraindicações estão gestantes, pacientes imunossuprimidos e pessoas em tratamento quimioterápico. Já quem tomou outras vacinas contra o herpes zóster no passado não tem restrição para fazer a nova, que é inativada (com o vírus morto na formulação).

A Clínica Imunize, em Camaquã, oferece a vacina e também atendimento domiciliar para quem tem dificuldade de locomoção, com link de pagamento para evitar deslocamentos desnecessários.

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