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Astrônomos identificam 1ª estrela com brilho verde no Universo

Estrela WD J1330+6435, a 280 anos-luz da Terra, teve a cor alterada pela destruição de restos de antigos planetas, aponta estudo da Universidade de Warwick.

31 de outubro de 2026·Redação SulTV
Imagem ilustrativa. Foto: Artūras Kokorevas via Pexels
Imagem ilustrativa. Foto: Artūras Kokorevas via Pexels

Uma equipe internacional de astrônomos identificou a primeira estrela com brilho esverdeado já registrada no Universo, batizada de WD J1330+6435. O astro está localizado a aproximadamente 280 anos-luz da Terra, na constelação de Draco, e a coloração inédita foi revelada nesta semana. O fenômeno está diretamente ligado à composição química da atmosfera da estrela, alterada pela destruição de restos de antigos planetas que um dia orbitaram ao seu redor.

Como a estrela ganhou a cor verde

A WD J1330+6435 é uma anã branca, o núcleo remanescente de uma estrela que já consumiu todo o combustível nuclear. Segundo os pesquisadores, a intensa força gravitacional do astro atraiu e destruiu fragmentos rochosos de planetas que a orbitavam, incorporando elementos como cálcio, lítio e, principalmente, sódio às suas camadas superficiais.

Em condições de densidade extrema, os átomos de sódio passaram a interagir com o hélio presente na atmosfera da estrela, alterando a forma como a luz é absorvida. Esse processo bloqueia parte das cores mais quentes do espectro — como amarelo, laranja e vermelho — e faz com que o brilho restante adquira uma tonalidade verde-amarelada, nunca antes observada em nenhum astro conhecido.

O que a descoberta revela sobre as estrelas

O caso também ajuda a entender a Lei de Wien, princípio da física que relaciona a temperatura de um corpo à faixa de luz que ele emite com maior intensidade. O Sol, por exemplo, tem o pico de emissão justamente na região verde do espectro luminoso, mas também libera luz em outras cores que, somadas, fazem com que seja percebido como branco — por isso estrelas comuns não costumam aparecer verdes a olho nu.

O estudo foi liderado pelo astrofísico Mark Hollands, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, e publicado na revista científica RAS Techniques and Instruments. Para os pesquisadores, o achado amplia o conhecimento sobre as anãs brancas e mostra como a composição química pode transformar completamente a aparência de uma estrela.

Pistas sobre o destino dos sistemas planetários

Além de representar um registro raro na astronomia, a descoberta oferece novas informações sobre o que pode acontecer com os materiais que permanecem ao redor de estrelas depois do fim de suas vidas. O caso da WD J1330+6435 mostra que restos de planetas destruídos podem continuar influenciando a atmosfera estelar por muito tempo, ajudando cientistas a reconstruir a história de sistemas planetários extintos.

A expectativa dos pesquisadores é de que novas observações identifiquem outras anãs brancas com características semelhantes, ampliando o entendimento sobre o que ocorre com estrelas e seus antigos planetas depois que o combustível nuclear se esgota — um capítulo da astronomia que também pode ajudar a entender o futuro distante de sistemas planetários como o Solar.

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