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O arroz gaúcho vale R$ 3,6 bi a menos em um ano — e a Costa Doce começa a plantar a safra 26/27 mesmo assim

Prévia de agosto do Valor Bruto da Produção, do Ministério da Agricultura, põe o arroz brasileiro no menor valor real da série iniciada em 1989; o Rio Grande do Sul, dono de 79% desse valor, recuou 22,8%. Em Arambaré e Camaquã, a colheita de 2025 rendeu mais toneladas e menos dinheiro — e a semeadura de outubro já se prepara na várzea.

28 de setembro de 2026·Redação SulTV
Várzea da Fazenda Barroso, em Arambaré, entre uma safra e outra, com a Lagoa dos Patos ao fundo: a semeadura do arroz 2026/27 começa em outubro. Imagens: arambare.com
Várzea da Fazenda Barroso, em Arambaré, entre uma safra e outra, com a Lagoa dos Patos ao fundo: a semeadura do arroz 2026/27 começa em outubro. Imagens: arambare.com

O arroz do Rio Grande do Sul vale R$ 12,26 bilhões em 2026, R$ 3,6 bilhões a menos do que em 2025. O número está na prévia de agosto do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), divulgada em 16 de setembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), e mede o que a lavoura produziu multiplicado pelo preço que o produtor recebeu, em valores corrigidos pela inflação. No Brasil, o arroz soma R$ 15,55 bilhões — o menor valor real da série do ministério, que começa em 1989. Na várzea da Costa Doce, onde a semeadura da safra 2026/27 começa em outubro, o dado chega quando o preparo do solo já está em andamento.

O que o número mede — e o que não mede

O VBP é o "PIB da porteira para dentro": a produção física, pela estimativa do IBGE de agosto, vezes o preço médio recebido pelo produtor entre janeiro e agosto, tudo deflacionado pelo IGP-DI a preços de agosto de 2026. Não é lucro — não desconta nenhum custo — e não é o preço na gôndola. O valor de 2026 é preliminar e será revisado a cada mês até o fechamento do ano, em janeiro.

No arroz, a prévia de agosto aponta R$ 15,55 bilhões para o Brasil, queda de 26,7% sobre os R$ 21,22 bilhões de 2025 e o menor valor da série em termos reais. O segundo menor havia sido 2019, com R$ 15,96 bilhões — apenas 2,6% acima do número atual, o que faz da marca um recorde frágil, que a edição de dezembro pode desfazer. Como o VBP mistura volume e preço, a queda não equivale a uma queda de preço na mesma proporção: o indicador da saca é outro, o do Cepea e do Irga.

Outro cuidado de leitura: o "arroz de 2026" do VBP é a safra 2025/26, colhida entre fevereiro e maio deste ano. A safra que começa a ser semeada agora só entra na conta a partir de 2027.

O Rio Grande do Sul é 79% do valor

O Estado responde por R$ 12,26 bilhões dos R$ 15,55 bilhões nacionais — 79% do valor do arroz do país (a participação na produção física é outra proporção, porque o preço médio varia de Estado para Estado). Em 2025, o arroz gaúcho valia R$ 15,88 bilhões; em 2024, R$ 16,88 bilhões. A queda de 2026 é de 22,8%.

O contraste está na soja. A oleaginosa gaúcha vale R$ 36,68 bilhões em 2026, alta de 28,6% — quase três vezes o arroz. É recuperação de volume depois da estiagem de 2025, não alta de preço: o valor ainda fica 4,6% abaixo do de 2024. Com a soja puxando, as lavouras do Estado crescem 7,2% no ano e o VBP total gaúcho fecha a prévia em R$ 102,7 bilhões, praticamente estável (+0,5%), enquanto o país recua 4,2%.

Para o Rio Grande do Sul, aliás, 2026 não é o pior ano da série do arroz: em 2019, o valor real foi de R$ 10,83 bilhões. O mínimo histórico é do Brasil, não do Estado.

E mesmo assim, sobe desde março

Dentro da própria edição de agosto, o valor do arroz brasileiro subiu cinco meses seguidos: de R$ 14,63 bilhões em março para R$ 15,55 bilhões em agosto, alta de 6,3%, com o maior degrau entre julho e agosto (+2,3%). É o preço médio do ano reagindo a partir do fundo — ainda longe de recompor a queda.

Na Expointer, em 1º de setembro, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, já havia pedido cautela diante de uma eventual recuperação das cotações, lembrando que os estoques de passagem seguem altos e que muitos produtores terão compromissos financeiros pesados no próximo ano.

Na Costa Doce: mais arroz, menos dinheiro

O VBP não desce ao município. O dado local mais recente é a Produção Agrícola Municipal do IBGE, referente a 2025 (safra colhida em 2025), em valores correntes — outra série, que não se soma à do ministério. Em Arambaré, o arroz ocupou 15.175 hectares e rendeu 147.501 toneladas, 37% a mais do que em 2024, com produtividade de 9.720 quilos por hectare. O valor da produção, porém, cresceu bem menos: R$ 243,1 milhões, alta de 8,5%.

Em Camaquã, o efeito foi mais duro: 34 mil hectares e 330.820 toneladas (+17,5%) valeram R$ 545,2 milhões — 12,7% a menos do que os R$ 624,8 milhões de 2024. No Estado inteiro, a conta do IBGE é a mesma: 8,76 milhões de toneladas em 2025 (+22,9%) valeram R$ 13,99 bilhões (−5,8%). Mais arroz saiu da lavoura, e menos dinheiro voltou para ela.

A safra que começa agora

O Irga projeta 861.778 hectares de arroz irrigado no Rio Grande do Sul na safra 2026/27, 3,4% a menos do que os 891.908 hectares de 2025/26, segundo a intenção de semeadura apresentada em 31 de agosto, na Expointer. A soja em terras baixas deve ocupar outros 431 mil hectares — a rotação que se consolidou nas várzeas tradicionais de arroz.

Em Arambaré, a semeadura começa em outubro. Na Fazenda Barroso, na várzea da margem oeste da Lagoa dos Patos, o preparo do solo para a safra 2026/27 já está em andamento — a safra que o VBP só vai contar a partir de 2027. O dado do ministério descreve a que já foi colhida.

A próxima edição do VBP, com os dados de setembro, sai em meados de outubro — quando a várzea da Costa Doce já estará semeada. As imagens aéreas que ilustram esta matéria são do acervo do arambare.com, feitas de drone sobre a várzea da Fazenda Barroso, em Arambaré, em agosto de 2026.

Com informações de arambare.com

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