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Argentina lança plano que pode demitir até 21 mil servidores públicos

Decreto de Milei amplia política de corte de gastos; sindicato acusa governo de pressionar funcionários a aderir

20 de outubro de 2026·Redação SulTV
Governo Milei publica decreto que pode demitir até 21 mil servidores públicos na Argentina
Governo Milei publica decreto que pode demitir até 21 mil servidores públicos na Argentina

O governo de Javier Milei publicou nesta segunda-feira (19) um decreto que prevê um plano de demissão voluntária capaz de alcançar até 21 mil servidores públicos na Argentina. A medida integra a agenda de redução de gastos e do tamanho do Estado adotada desde que Milei assumiu a Casa Rosada empunhando o símbolo da motosserra, que representa o corte de despesas.

Como funciona o plano

O Decreto 1.203 de 2026 prevê a demissão voluntária de três grupos dentro do serviço público federal, com exceção de militares e funcionários da segurança e inteligência. As vagas dos servidores que aderirem serão suprimidas de forma permanente.

A norma abrange funcionários próximos da aposentadoria, entre 58 e 64 anos, ou que já tenham cumprido os requisitos para se aposentar. O plano prevê, entre outras modalidades, o pagamento de um salário por ano trabalhado no Estado, além de um pagamento mensal de 60% do salário pelos próximos três anos.

O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Fede Sturzenegger, afirmou que quem aderir não poderá voltar a ocupar emprego público pelos próximos oito anos, para evitar uma 'porta giratória'.

Cortes desde 2023

Entre dezembro de 2023, logo após a posse de Milei, e agosto de 2026, foram suprimidos 77,5 mil postos de trabalho no setor público argentino. Desse total, 44,7 mil vagas foram fechadas na Administração Pública direta e indireta, 11,1 mil nas Forças Armadas e forças de segurança e 21,6 mil em empresas públicas.

Segundo informe do governo, a Administração Pública Nacional reduziu seu quadro de pessoal em 21,8% no período, enquanto nas empresas estatais a diminuição chegou a 23,7%. O governo apresenta os cortes como uma economia da ordem de US$ 3,2 bilhões, reforçando o 'compromisso com a redução do gasto público'.

Reação dos servidores

A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) publicou nota contra a iniciativa. O secretário-geral, Rodolfo Aguiar, denunciou que chefias têm pressionado empregados a aderir. 'Se é realmente voluntário, por que estão ameaçando os trabalhadores? Se há intimidação, então o consentimento não é livre', afirmou.

A ATE Nacional vai recomendar a não adesão, citando a experiência de demissão voluntária dos anos 1990, que teria deixado milhares de servidores sem emprego e sem aposentadoria. Para Aguiar, a decisão deixará 'milhões de argentinos sem serviços públicos essenciais'.

A taxa de desemprego na Argentina subiu 0,3 ponto percentual no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, chegando a 7,9% da população economicamente ativa, segundo o Indec. No governo Milei, foram fechadas 31,3 mil empresas e encerrados 245 mil postos formais de emprego em 31 meses.

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