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Segurança

ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord no Brasil

Empresa pode ser multada em até R$ 50 milhões se não comprovar novas medidas de proteção a menores.

13 de agosto de 2026·Redação SulTV
Adolescente usa celular em casa; app de chat e jogos teve lives suspensas no Brasil pela ANPD
Adolescente usa celular em casa; app de chat e jogos teve lives suspensas no Brasil pela ANPD

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em todo o território brasileiro, incluindo o recurso Go Live, usado por gamers e criadores de conteúdo. A decisão atinge diretamente famílias e adolescentes das cidades da Costa Doce e do Sul do RS que utilizam o aplicativo para jogar, estudar em grupo ou participar de comunidades online. A medida vale até que a empresa comprove ter adotado mecanismos suficientes para proteger crianças e adolescentes contra conteúdos nocivos, sob risco de multa de até R$ 50 milhões por infração.

O que muda para quem usa o aplicativo

O Discord deixou de ser apenas um espaço de conversa entre jogadores e se transformou em uma plataforma ampla de comunicação, com servidores que funcionam como comunidades privadas de texto, áudio e vídeo. É justamente essa estrutura fechada que motivou a fiscalização: por enquanto, apenas as ferramentas de transmissão ao vivo, como o Go Live, ficam fora do ar. Conversas por texto, chamadas de voz e vídeo e os servidores continuam disponíveis normalmente para quem já usa o serviço na região.

A restrição às lives não é a única mudança recente para o público jovem. Desde março de 2026, o Discord já vinha aplicando mecanismos de verificação de idade no Brasil para atender às regras nacionais de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, o que deve seguir valendo enquanto o processo de fiscalização avança.

O caso que motivou a decisão

A suspensão foi determinada depois que autoridades associaram a morte de uma adolescente de 13 anos a interações ocorridas em um servidor da plataforma, episódio que gerou forte repercussão pública nas últimas semanas. Segundo a ANPD, a apuração identificou riscos concretos de exposição de crianças e adolescentes a conteúdos envolvendo violência, automutilação e incentivo ao suicídio, além do contato com adultos ou usuários mal-intencionados dentro de comunidades fechadas.

A pressão sobre a empresa cresceu nos últimos dias: uma ação civil pública chegou a pedir a suspensão total do Discord no país, enquanto o governo brasileiro passou a cobrar explicações formais e medidas concretas de proteção. A suspensão das lives é apresentada pela ANPD como parte de um processo de fiscalização mais amplo, não como o desfecho da discussão.

Resposta do Discord e os próximos passos

O Discord classificou a decisão da ANPD como prematura e afirmou já ter adotado medidas antes da determinação, incluindo a remoção de servidores ligados ao caso investigado e colaboração com as autoridades brasileiras. A empresa argumenta que as atividades criminosas relacionadas ao episódio teriam ocorrido em outras plataformas, e não integralmente dentro do próprio aplicativo.

Para que as transmissões voltem a funcionar, a empresa precisará demonstrar à ANPD a adoção de medidas técnicas e de governança capazes de reduzir os riscos a menores, além de mecanismos que dificultem tentativas de burlar as restrições. Novas irregularidades identificadas ao longo da fiscalização podem resultar em sanções adicionais, com multas que a legislação brasileira permite chegar a R$ 50 milhões por infração.

O caso deve continuar repercutindo nos próximos dias, já que a ANPD sinalizou que a fiscalização é apenas uma etapa de um processo mais amplo sobre segurança de crianças e adolescentes nas plataformas digitais. Para famílias da Costa Doce e do Sul do RS que têm filhos e filhas usando o Discord no dia a dia, a recomendação prática é acompanhar como funcionam os controles de idade já em vigor e ficar atento a eventuais novas orientações da própria plataforma ou de órgãos de proteção. O desfecho da disputa entre o Discord e as autoridades brasileiras pode, inclusive, servir de referência para regras futuras aplicadas a outros aplicativos de mensagens e redes sociais no país.

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