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A praia sem sal e sem onda: por que o verão em Arambaré é diferente

São 15 km de praias de água doce na margem oeste da Lagoa dos Patos — águas calmas e rasas que explicam o tipo de veraneio da Costa Doce.

17 de agosto de 2026·Redação SulTV
A curva da orla de Arambaré: cerca de 15 km de praia de água doce na margem oeste da Lagoa dos Patos. Imagens: arambare.com
A curva da orla de Arambaré: cerca de 15 km de praia de água doce na margem oeste da Lagoa dos Patos. Imagens: arambare.com

Quem chega a Arambaré pela primeira vez costuma levar um susto pequeno e agradável: a água da praia não tem sal, não arde os olhos e quase não faz onda. A cidade fica na margem oeste da Lagoa dos Patos e tem cerca de 15 km de praias de água doce, com dunas à beira d'água e vegetação de restinga — uma faixa de veraneio a cerca de 140 km de Porto Alegre que funciona por uma lógica diferente da do litoral oceânico.

Água doce, rasa e sem ressaca

A explicação está na geografia. Arambaré está sobre a Planície Costeira do Rio Grande do Sul, em depósitos arenosos, voltada para dentro da Lagoa dos Patos — e não para o oceano. Sem maré e sem arrebentação, a água fica calma e rasa por dezenas de metros, o que muda quem usa a praia: famílias com crianças pequenas, banhistas mais velhos e quem prefere entrar na água sem enfrentar onda.

O principal curso d'água do município é o Arroio Velhaco, cuja foz — a 'barra' — deu o primeiro nome ao povoado, Barra do Velhaco, antes da emancipação, em 1992.

Quatro balneários em 15 km de orla

A faixa de praia não é um ponto só. A Praia da Costa Doce é a central, a mais movimentada no verão; ao longo da orla ficam ainda a Praia do Caramuru, o Balneário Dunas da Lua de Natal e a Prainha.

É essa divisão que espalha o público na temporada e explica por que a cidade, com cerca de 4,2 mil moradores, multiplica sua população no verão.

O asfalto que mudou a temporada

O reforço turístico mais recente não veio da praia, e sim da estrada: o asfaltamento da ERS-350, entre Camaquã e Arambaré, a partir de 2013, encurtou o acesso e trouxe o veranista de fim de semana.

Antes das estradas, o caminho era a própria água — a lagoa serviu por séculos como rota de barcos de passageiros e mercadorias até Porto Alegre, o motor que fez o povoado surgir e prosperar.

Da pesca ao veraneio

A pesca artesanal continua presente: Arambaré marca o início de uma zona de pesca no estuário da Lagoa dos Patos que segue até a barra do Rio Grande, com tainha, bagre e corvina, organizada em colônias.

Hoje o município vive de dois tempos — a lavoura de arroz durante o ano e o veraneio no verão, quando o comércio da orla trabalha para o público de fora.

A temporada de verão começa em dezembro. Até lá, a orla segue vazia — e, para quem é da região, essa é justamente a melhor época para conhecer a praia sem disputar lugar na areia.

Com informações de arambare.com

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