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27% dos supermercados gaúchos avaliam fechar domingos

Aprovada no Senado, a PEC que acaba com a escala 6x1 pode elevar a folha de pagamento do setor em até 20% no Rio Grande do Sul.

16 de outubro de 2026·Redação SulTV
Fachada de supermercado fechado num domingo ilustra debate sobre a nova escala de trabalho no RS
Fachada de supermercado fechado num domingo ilustra debate sobre a nova escala de trabalho no RS

Uma enquete da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), realizada na quinta-feira (15), revelou que 27% dos associados consultados já avaliam fechar as lojas aos domingos no Rio Grande do Sul. A possível mudança na rotina de compras dos moradores da região surge na esteira da aprovação, pelo Senado Federal, da PEC 221/2019, que substitui a escala de trabalho 6x1 pela 5x2 no comércio e em outros setores.

O que prevê a nova escala de trabalho

O Senado Federal aprovou, em primeiro e segundo turnos, na quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O texto garante aos trabalhadores dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente com um deles aos domingos, sem redução de salário.

A jornada semanal também muda: cai de 44 para 42 horas dois meses após a promulgação da PEC e chega a 40 horas após 14 meses. A expectativa da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) é de que a nova escala comece a valer já em dezembro deste ano, logo depois da promulgação.

O que pode mudar na rotina de quem mora na região

Para o presidente da AGAS, Lindonor Peruzzo Junior, o fechamento das lojas aos domingos pode prejudicar a rotina de compras de quem mora nas cidades do Rio Grande do Sul, especialmente onde o supermercado é a principal opção de abastecimento. A mudança também tende a aumentar a concorrência com farmácias, lojas de conveniência e comércio eletrônico, que já funcionam sete dias por semana.

O setor também avalia reduzir os horários de funcionamento das lojas. Segundo a AGAS, o impacto da nova escala na folha de pagamento deve variar entre 17% e 20%, custo que as empresas afirmam não conseguir absorver sem repassar parte dele aos preços dos produtos vendidos nos mercados.

Setor tenta adiar a mudança e cobra nova regra

A AGAS, em conjunto com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), vai buscar no Congresso Nacional o adiamento do início da nova escala para 2027. A entidade argumenta que a entrada em vigor em dezembro, nas vésperas do Natal e do Ano-Novo, pode gerar dificuldades operacionais justamente no período de maior movimento nas lojas.

O setor supermercadista está presente em todos os municípios gaúchos e soma 182 mil empregos diretos no Rio Grande do Sul, de acordo com a AGAS. A entidade defende também a aprovação da chamada PEC do Horista, que permitiria ao trabalhador optar entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível de remuneração por hora trabalhada. "É fundamental que asseguremos aos trabalhadores a escolha de trabalhar ou não a mais, para receber mais, dentro da formalidade", afirma Peruzzo Junior.

A PEC 221/2019 segue agora para promulgação, e o setor supermercadista do Rio Grande do Sul deve detalhar nas próximas semanas quais lojas efetivamente vão alterar os dias e horários de funcionamento. A SulTV acompanha os próximos passos da mudança e seus efeitos na rotina de compras das famílias da região.

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