Sul do Brasil tem 3 tornados em 12 dias; veja como se proteger
Professor da UFSM defende que a população aprenda a identificar o fenômeno; um dos episódios atingiu Pedro Osório, no Sul do RS, em 6 de agosto.

A Região Sul do Brasil registrou três tornados em apenas 12 dias, entre 28 de julho e 8 de agosto, com ocorrências no Noroeste do Rio Grande do Sul, em Pedro Osório, no Sul do RS, e em Piraí do Sul, no Paraná. A sequência de episódios levou especialistas a defenderem que a população da região aprenda a reconhecer visualmente o fenômeno e a agir com rapidez diante do risco, já que a identificação tardia pode custar tempo precioso de proteção.
Três episódios em menos de duas semanas
O primeiro tornado da sequência ocorreu em 28 de julho, no Noroeste do Rio Grande do Sul, atingindo diferentes municípios da região e provocando danos em propriedades, árvores e estruturas. Moradores registraram imagens dos estragos deixados pela passagem do fenômeno, com telhados destruídos e vegetação derrubada.
O segundo episódio atingiu Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, em 6 de agosto, causando danos em construções, árvores e estruturas do município. Dois dias depois, em 8 de agosto, um terceiro tornado foi registrado em Piraí do Sul, no Paraná, com imagens que mostraram claramente a formação do funil e chamaram atenção pelo tamanho.
Especialista defende reconhecimento imediato do fenômeno
O professor Ernani Nascimento, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), um dos principais pesquisadores de tornados no Brasil, defende que é preciso melhorar a capacidade da população de identificar o fenômeno assim que ele aparece. Segundo o meteorologista, quando um vídeo mostra de forma inequívoca um tornado, a informação deve ser tratada com clareza, sem ressalvas excessivas que dificultem a compreensão do risco pela população.
Para o professor, a avaliação técnica sobre intensidade, trajetória e extensão dos danos continua sendo indispensável, mas não deve ser confundida com a identificação visual imediata do fenômeno. Ele atribui parte da dificuldade de reconhecimento a um déficit no ensino de meteorologia e outras ciências da Terra no país, o que compromete a capacidade da população de perceber situações de risco a tempo de buscar abrigo.
Como se proteger em caso de tornado
A orientação diante de um tornado é buscar imediatamente um local fechado e estruturalmente resistente, já que o Brasil não conta com rede de abrigos subterrâneos como em partes dos Estados Unidos. Em casas ou prédios, o ideal é permanecer no andar mais baixo, afastar-se de janelas e paredes externas e se proteger em um cômodo pequeno e central, como banheiro ou corredor, sob uma estrutura resistente, com a cabeça e o pescoço protegidos por braços, colchões ou cobertores.
Quem estiver ao ar livre ou dentro de um veículo no momento da aproximação do tornado não deve tentar acompanhar o deslocamento do fenômeno nem permanecer em área aberta para fotografar ou filmar — o maior risco vem de destroços lançados pelo vento, vidros quebrados e queda de estruturas. Em escolas e empresas, a orientação é seguir os procedimentos de emergência e buscar áreas internas, afastadas de janelas, assim que o risco for percebido.
A repetição de episódios em curto intervalo reforça a necessidade de atenção redobrada durante períodos de instabilidade climática mais intensa no Sul do Brasil. Acompanhar a previsão meteorológica e reconhecer os sinais de um tornado — como nuvens em rotação e formação de funil — pode ser decisivo para buscar abrigo a tempo e reduzir riscos à segurança.
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