Seca histórica no Danúbio ameaça usinas nucleares na Europa
Reno, na Alemanha, e Pó, na Itália, também batem recordes de baixa enquanto fábricas suspendem produção no continente.

Uma combinação de calor recorde e seca prolongada reduziu rios estratégicos da Europa aos menores níveis já registrados, forçando o desligamento parcial de usinas nucleares na Hungria e na Romênia e a paralisação temporária de fábricas de montadoras no continente. A crise se estende do Atlântico ao Leste Europeu, com temperaturas acima de 40°C em diversos países e o rio Danúbio, o segundo maior da Europa, expondo bancos de areia e embarcações naufragadas há décadas.
Danúbio atinge o menor nível já registrado
O Danúbio atravessa dez países antes de desaguar no Mar Negro e, em vários trechos, chegou às menores vazões já observadas, expondo rochas, bancos de areia e cascos de embarcações naufragadas há décadas. Na Hungria, a queda no volume do rio comprometeu o abastecimento de água usado para resfriar a usina nuclear de Paks, responsável por cerca de metade de toda a eletricidade consumida no país.
O governo húngaro iniciou o desligamento gradual dos reatores da usina e passou a adotar medidas de economia de energia em escala nacional, com restrições ao transporte ferroviário de cargas em determinados horários. Na Romênia, militares chegaram a realizar explosões controladas em formações rochosas às margens do Danúbio na tentativa de aumentar o fluxo de água até a usina nuclear de Cernavodă, responsável por cerca de um quinto da geração elétrica do país — mesmo assim, um dos reatores precisou ser desligado por falta de água para resfriamento.
Reno e Pó também registram recordes de seca
Na Alemanha, o rio Reno, uma das principais rotas de transporte de cargas do continente, chegou a apenas alguns centímetros de profundidade navegável em pontos como Kaub, próximo a Koblenz, igualando os recordes da seca histórica de 2018. Na Itália, o rio Pó voltou a apresentar vazões extremamente reduzidas, o que ampliou a salinização em sua foz e prejudicou a irrigação nas lavouras da região.
Na Sérvia, a estiagem derrubou em cerca de 30% a produção das principais usinas hidrelétricas instaladas ao longo do Danúbio, levando o governo sérvio a pedir à população que use energia elétrica de forma racional. O transporte fluvial também foi afetado em diversos pontos do continente: embarcações ficaram paradas por falta de profundidade segura, e as que seguem operando carregam apenas parte da capacidade habitual, o que eleva custos e reduz a rentabilidade do setor.
Indústria e lavouras sentem o impacto da seca
O calor extremo, com temperaturas acima de 40°C em diversos países e previsão de até 42°C na Hungria nos próximos dias, mantém o cenário de agravamento. A seca também acelerou a colheita de milho e girassol no país, elevando as perspectivas de perdas nas lavouras.
O setor industrial sentiu o efeito das restrições de energia: as montadoras Dacia e Ford interromperam temporariamente a produção por mais de duas semanas, após pedidos oficiais de redução no consumo de eletricidade durante o período mais crítico da crise.
Governos da Hungria, da Romênia e da Sérvia mantêm monitoramento diário da vazão dos rios e da geração de energia, já que uma nova queda nos níveis pode ampliar as restrições ao consumo elétrico e à produção industrial no continente nas próximas semanas.
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