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Clima

El Niño de 2026 caminha para ser o mais forte já registrado

Modelos indicam anomalia de até 4°C até dezembro, patamar bem acima do que caracteriza um Super El Niño.

16 de agosto de 2026·Redação SulTV
Imagem de satélite mostra o aquecimento das águas do Pacífico durante a intensificação do El Niño de 2026.
Imagem de satélite mostra o aquecimento das águas do Pacífico durante a intensificação do El Niño de 2026.

Dados climáticos atualizados neste mês de agosto indicam que o El Niño em curso no Oceano Pacífico caminha para se tornar o mais intenso já registrado desde o início das medições modernas, em 1850. As projeções mais recentes apontam anomalia de temperatura próxima ou acima de 4°C no principal ponto de monitoramento do fenômeno até o fim de 2026, patamar muito superior aos +2°C que caracterizam informalmente um Super El Niño — nível já ultrapassado em julho. O fenômeno é acompanhado de perto por meteorologistas em todo o mundo e tem impacto direto no regime de chuvas do Rio Grande do Sul.

Águas do Pacífico batem recordes de temperatura

Um dos principais motores da intensificação é uma sucessão de ondas oceânicas de Kelvin, mecanismo que transporta grandes volumes de água quente das camadas profundas do Pacífico Ocidental em direção ao centro e ao leste do oceano. Levantamentos recentes identificaram anomalias de temperatura superiores a 10°C abaixo da superfície, além de água com cerca de 30°C atingindo profundidade de 100 metros na altura da longitude 150°W — um padrão considerado extraordinário pelos pesquisadores que acompanham o fenômeno.

Ao mesmo tempo, os ventos de oeste sobre o Pacífico Equatorial registraram, em junho e julho deste ano, algumas das maiores anomalias já observadas na série histórica em uma ampla área do Pacífico central e ocidental. Esse comportamento favorece o deslocamento de mais água quente para o leste do oceano e ajuda a sustentar o processo de intensificação contínua do El Niño.

Ritmo de intensificação supera eventos anteriores

O Índice Multivariado do El Niño, que combina dados oceânicos e atmosféricos, somou +2,4 no período de junho e julho de 2026 — o maior valor já registrado para esse bimestre desde o início das medições. Já o índice tradicional de monitoramento do fenômeno (ONI) ultrapassou a marca de +2°C ainda em julho, patamar que informalmente já classifica o evento como um Super El Niño.

A velocidade do aquecimento também chama atenção: o ritmo observado em 2026 já supera o desenvolvimento registrado durante o Super El Niño de 2015-2016 e se aproxima rapidamente do pico daquele episódio, um dos mais fortes já catalogados. Caso as projeções se confirmem, o evento atual superaria por ampla margem os picos de eventos históricos como os de 1877-1878, 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

O que o fenômeno pode significar para o Sul do RS

Historicamente, episódios intensos de El Niño estão associados a volumes de chuva acima da média na Metade Sul do Rio Grande do Sul, especialmente entre a primavera e o verão. Com o fenômeno ainda em fase de intensificação e pico esperado apenas no fim de 2026, moradores de cidades da Costa Doce e do Sul do estado — como Camaquã, Tapes, Arambaré, Cristal, Chuvisca, São Lourenço do Sul e Pelotas — devem manter o acompanhamento das previsões meteorológicas e dos canais oficiais de alerta, como a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, ao longo dos próximos meses.

A alteração na circulação atmosférica, com áreas de maior instabilidade sobre o Pacífico e reflexos em outras regiões tropicais, é outro sinal de que o fenômeno começa a influenciar o clima além do oceano. A recomendação de especialistas é acompanhar as atualizações mensais dos modelos climáticos, já que cada nova rodada de dados tem elevado o patamar de intensidade projetado para o fenômeno.

Os próximos boletins climáticos, atualizados normalmente na primeira semana de cada mês, devem confirmar se o El Niño de fato consolida o recorde apontado pelas projeções atuais. A expectativa é de que a fase de intensificação se estenda por mais três a quatro meses, com o pico do fenômeno previsto para o fim de 2026 — período que deve manter o tema em evidência também no Rio Grande do Sul.

Tags:clima

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