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Apenas 21% dos adolescentes têm lazer fora das telas

  • Foto do escritor: Redação SulTV
    Redação SulTV
  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

Psiquiatra explica que o alerta real está na perda de interesse por atividades presenciais, não no tempo de tela.


As férias escolares têm ampliado o tempo diante de telas para crianças e adolescentes em famílias de Tapes e de toda a Costa Doce, refletindo um cenário observado em todo o país por especialistas em comportamento infantojuvenil. Um levantamento do ChildFund Brasil mostra que apenas 21% dos adolescentes praticam regularmente atividades de lazer fora do ambiente digital, como esportes, leitura, passeios ou brincadeiras — um número que reforça o desafio enfrentado por pais e responsáveis durante o período de recesso escolar.


Adolescente usa o celular em casa durante as férias escolares

Adolescente usa o celular em casa durante as férias escolares


Rotina muda e tela ganha mais espaço em casa


Na casa da professora universitária Bruna Christófaro, a rotina do filho Bernardo, de 14 anos, mudou com o fim das aulas e da natação. Sem os compromissos fixos, o adolescente passa mais horas jogando no computador e conversando com amigos pelo WhatsApp. Para equilibrar o dia a dia, a família tem investido em passeios, incentivado encontros presenciais e estimulado o interesse do jovem pela guitarra.


Bruna conta que o excesso de tela à noite tem reflexo direto no dia seguinte, com cansaço e sonolência perceptíveis. Esses sinais têm servido como ponto de partida para conversas sobre descanso e organização dos horários dentro de casa. A experiência da empresária Débora, mãe de dois adolescentes, segue linha parecida: quando os filhos estão com amigos jogando bola ou praticando esportes, o celular praticamente desaparece, mas em dias sem programação as telas dominam boa parte do tempo.


Quando o uso das telas vira sinal de alerta


Para a psiquiatra da infância e adolescência Jaqueline Bifano, o problema não está apenas no número de horas diante das telas, mas no que deixa de ser vivido por causa delas. Segundo a especialista, quando o celular substitui o sono, a atividade física, a convivência familiar e os encontros com amigos, aumentam os riscos de ansiedade, irritabilidade e sintomas depressivos entre adolescentes.


A psiquiatra ressalta, no entanto, que o aumento do tempo de uso durante as férias é esperado e não caracteriza dependência por si só. O sinal de alerta verdadeiro aparece quando o adolescente perde o interesse por atividades que antes lhe davam prazer e passa a priorizar exclusivamente o ambiente digital, deixando de lado o convívio presencial.


Como equilibrar telas e lazer presencial em casa


A psicóloga Janusa Sampaio recomenda que os pais evitem transformar o uso de telas em uma disputa diária dentro de casa. Segundo ela, o cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento e é naturalmente mais sensível a estímulos de recompensa imediata, como redes sociais e vídeos curtos. Por isso, acordos claros, diálogo aberto e a oferta de opções de lazer presencial costumam trazer resultados melhores do que punições ou proibições rígidas.


Para os especialistas, as férias escolares devem ser encaradas como um período de descanso e convivência, e não apenas de vigilância sobre o tempo de tela. Nas famílias da Costa Doce, como em todo o país, o equilíbrio entre tecnologia e atividades presenciais segue sendo a estratégia mais indicada para preservar o bem-estar de crianças e adolescentes sem transformar a casa em um campo de disputas.


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