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  • Foto do escritorGil Martins

Novidade no campo! Arroz sem Defensivos Agrícolas

Colheita será realizada em abril. Projeto é uma iniciativa da UFSM



Não é de hoje que a agenda da agricultura sustentável tem desafiado pesquisadores e produtores a fomentar a produção de alimentos saudáveis, que ajudem a melhorar e manter os ecossistemas e proporcionem melhorias progressivas na qualidade dos solos, sem perder a qualidade e nutritividade do alimento. Ao mesmo tempo, encontrar alternativas para a incorporação dos agricultores familiares no mercado e para a ampliação da renda tem sido desafiador.


Inovação

O projeto de Arroz sem Defensivos Agrícolas entra no mercado não para competir nem conflitar com os produtos convencionais, mas para responder a um público consumidor alternativo, além de incentivar novas pesquisas no ramo, com potencial de favorecer outros produtos diferenciados. A partir deste ponto, o Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Várzeas (Gpai) da UFSM, coordenado pelo professor Enio Marchesan, inovou na pesquisa sobre a produção de arroz sem o uso de defensivos químicos, para atender a demanda existente no mercado e, assim, oportunizar aos agricultores familiares acréscimo de renda a partir de um novo produto com um valor agregado.


Parceiros

Ao longo da caminhada, as seguintes instituições se juntaram a iniciativa: a PoliFeira do Agricultor, o Instituto Riograndense de Arroz (Irga), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), o Grupo Meta de Desenvolvimento Agrícola de Agudo, a Cooperativa Agrícola Mista Nova Palma (Camnpal), a Prefeitura de Dona Francisca, a Prefeitura de Faxinal do Soturno e a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento Rural dos Agricultores Familiares de Santa Maria (Coopercedro). Os agricultores receberam visitas técnicas durante todo o ciclo produtivo.


Colheita

A nova safra do arroz será colhida em abril e trará novos resultados para o projeto. Os grãos serão analisados no Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (Larp) da UFSM, o que permite garantir ao consumidor a certeza de que esse arroz está apto a ser comercializado como isento de resíduos químicos. No último ano, o arroz foi proveniente de três agricultores e totalizou 10 hectares de área colhida. Já na safra 2022/2023 o número de participantes aumentou para cinco, com 21,7 hectares de área plantada. Estima-se que a produção será de 3.700 sacos.

A PoliFeira do Agricultor entra como apoiadora da iniciativa a partir do momento em que os ideais dos projetos são similares, como o de proporcionar renda desde um produto com valor agregado aos agricultores, e o de ser um alimento que não prejudica a natureza. O arroz oriundo do projeto tem a feira como um dos participantes da promoção de vendas, a qual tem como propósito despertar a comunidade para este nicho de consumo.


Como surgiu?

O projeto de produção do arroz sem o uso de defensivos agrícolas nasceu no ano de 2016, a partir da realidade dos agricultores familiares para então chegar a um sistema de produção orgânico. Nesse processo, havia duas dificuldades principais: uma relacionada ao controle de ervas daninhas – a matocompetição – e outra relacionada à nutrição de plantas, para que crescessem saudáveis, mesmo com fertilizantes orgânicos.

Porém, além disso, o processo para obter o selo de orgânico foi complicado e se tornou pouco acessível. Por isso, migrou-se para o sistema chamado “sem uso de defensivos químicos”, que é destinado para outro nicho de público, aqueles que procuram por este tipo de alimento (sem defensivos químicos), mas por um preço inferior a um arroz certificado e com selo. Para atender a demanda nutricional das plantas e para alcançar uma produtividade elevada, são utilizadas as mesmas fontes minerais de fertilizantes do arroz convencional, mas não são utilizados herbicidas, inseticidas e fungicidas.

Ao mesmo tempo, a tecnologia de ponta é aplicada nesta pesquisa, na utilização de bioinsumos para a manutenção da produção do arroz. O projeto do Arroz sem Defensivos procura, também, integrar diferentes áreas do conhecimento, ao abrigar desde a parte do manejo da cultura do arroz, da fertilidade de solos, da extensão rural, da biologia e dos bioinsumos até o tema do abastecimento alimentar, da economia e da construção de mercados e públicos.


Como no projeto não são usados fungicidas ou inseticidas, apressou-se também a necessidade de informação, para saber sobre a participação e contribuição dos produtos biológicos para a melhora da qualidade e produtividade dos grãos. Segundo Enio, um dos legados deixados pelo estudo é que, se um bom sistema de irrigação é importante para o arroz convencional, para o sistema sem defensivos se torna fundamental, além do controle da lâmina d’água e do nivelamento da área, que são essenciais para este tipo de produção.


Fonte: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)





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